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Um campeonato ganho pelo FC Porto vale por dois ou mais dos clubes de Lisboa

Continua a ser o treinador que mais marcou o presidente do FC Porto, com quem discutia futebol no Café Orfeu e na Pastelaria Petúlia. O “Mestre”, José Maria Pedroto, é uma das figuras maiores do desporto nacional

Cumprem-se esta terça-feira, dia 7 de janeiro, 35 anos da morte de José Maria Pedroto, antigo jogador e treinador de futebol que atingiu o estrelato no FC Porto, onde foi responsável (1977/78) pelo fim do jejum de títulos nacionais que durava há 19 anos. O “Zé do Boné” ou o “Mestre”, como ficou conhecido, é uma das figuras maiores do futebol nacional e o treinador que mais marcou Pinto da Costa nestes mais de 36 anos de liderança.

Conheceram-se quando Pedroto era ainda jogador dos dragões, onde foi campeão nacional duas vezes, numa carreira com passagens pelo Lusitano VRSA e Belenenses. Mais tarde, juntos discutiam futebol no Café Orfeu e na pastelaria Petúlia, onde começou a ser “forjado” o FC Porto moderno de uma grande equipa europeia. Depois da Revolução de 25 de Abril de 1974, Pedroto foi das primeiras vozes a insurgir-se contra o centralismo de Lisboa. “É tempo de acabar com a centralização de todos os poderes da capital”, atirou numa das suas frases célebres. “Um campeonato ganho pelo FC Porto vale por dois ou mais dos clubes de Lisboa” é outra das mais icónicas.

Pedroto é descrito como um visionário que revolucionou os processos de treino e a gestão do futebol. Foi ele, por exemplo, quem introduziu o aquecimento no relvado antes dos jogos, diante do público que ia chegando ao estádio. Foi também o pioneiro a definir como essencial a observação de adversários. “É um homem de grande caráter e de grandes causas com uma força de vontade, um querer e uma determinação invulgares, de antes quebrar do que torcer”, escreveu Pinto da Costa há cinco anos, quando recordou o “Mestre”.

Pedroto nasceu a 21 de Outubro de 1928, em Almacave (Lamego). Foi morar para o Porto com apenas sete anos porque o seu pai, militar, foi colocado num quartel na Invicta. Tinha Pinga, como ídolo e começa a dar os primeiros pontapés no Pedras Rubras e, depois, no Leixões. Como sénior, jogou no Lusitano VRSA, Belenenses e FC Porto. Depois, assume o banco nas camadas jovens dos dragões, passando, já ao mais alto nível, por Académica, Leixões, Varzim, V. Setúbal, Boavista e V. Guimarães. No FC Porto cumpriu três etapas distintas e pelo meio ainda foi selecionador nacional. Faleceu com 56 anos, vítima de cancro do cólon, mas a sua obra continua bem viva.