FC Porto 2-0 V.Setúbal

FC Porto 2-0 V.Setúbal

Podia ter sido uma goleada retumbante, mas foi apenas 2-0. Não há como começar esta crónica sem fazer referência a um dos maiores festivais de oportunidades de golo desperdiçadas de que há memória no Estádio do Dragão. O onze bem organizado por Quim Machado, que apresentou uma equipa para defender (com Ruca no lugar do mais ofensivo Arnold no meio-campo) fez o que lhe competia, contra-atacando só pela certa. O FC Porto também, sufocando o aadversáriodurante muitos momentos do jogo. E as oportunidades claras de golo surgiram em catadupa. Mais uma dúzia (apesar de a determinada altura ter ficado difícil de contar…). Já controlavamos o meio-campo quando aos 20 minutos Lopetegui tomou a decisão certa de trocar o regressado Brahimi com Tello, do flanco direito para o esquerdo. O resultado foi quase imediato: o argelino entrou na área e descobriu Tello, que dominou e rematou de pé esquerdo, com a bola a sair por cima. A partir daí começou o festival de golos cantados no Dragão, que teve como cabeça-de-cartaz Aboubakar.

A abnegação, capacidade física e qualidade técnica continuam lá, mas parece andar desinspirado o camaronês. Tal como em Telavive, hoje no Dragão falhou uma mão cheia de oportunidades de golo: uma bola à barra após ressalto (7’), cabeceamento em cima da linha de golo (26’), um remate contra Reader (30’), dois bons dribles e um remate à entrada da área com a bola a sair ao lado (35’)… Chegou até a introduzir a bola na baliza (64’), mas num o lance foi precedido de falta.

Mas nem só do desacerto de Aboubakar viveu a nossa ineficácia . Houve outros a falharem. O jogo fluía, a equipa conseguia chegar rapidamente e com perigo à área adversária, mas o golo não aparecia. No entanto mesmo quando parecia ter chegado ao ponto mais baixo de uma profunda crise de inspiração o camaronês apareceu triunfal para de vilão passar a herói.  Foi ele que acreditou que aquela bola de Layún ia pingar bem ali no meio da área. Foi ele que meteu a cabeça como quem mete o coração.O ponta-de-lança desinspirado voltou a vestir a pele de goleador decisivo para resolver um jogo embrulhado a vinte minutos do fim.   Faltavam vinte minutos para o final e falta ainda falar de Layún, que hoje assistiu para o primeiro e marcou o segundo.

Apesar do foco em Aboubakar, o lateral mexicano merece todos os elogios que se lhe possam fazer: é seguro a defender e ofensivamente mostra qualidade de cruzamento, de passe e de remate… com ambos os pés. Já depois da assistência primorosa para o primeiro golo, coube-lhe também um papel ainda mais destacado na vitória desta noite ao colocar a bola no fundo das redes num remate que acabou com as dúvidas sobre o resultado final.

Se Aboubakar foi herói na hora certa, no momento decisivo da partida, Layún foi, pelo menos, o seu fiel escudeiro num duelo em que o resultado pecou por escasso. O FC Porto podia ter goleado naquela que foi uma das exibições mais dominadoras desta temporada. Pelo menos, não sofreu qualquer golo… E já lá vai quase um ano com este registo caseiro para a Liga (vale a pena sublinhar). O Vitória resistiu até onde pôde, mas perdeu bem. Machado não tinha como abrir a fortaleza do Dragão.

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